Uma reflexão sobre gratidão e Networking
O LinkedIn, como uma das principais plataformas de networking profissional, é um espaço onde pessoas buscam oportunidades, trocam experiências e constroem conexões que podem moldar suas carreiras. É comum vermos publicações de usuários anunciando que estão “Open to Work”, ou seja, abertos a novas oportunidades de emprego. Nessas postagens, muitos pedem ajuda, solicitam indicações de vagas ou até mesmo uma simples curtida para ampliar o alcance da publicação. Até aí, tudo bem — o networking, afinal, é uma via de mão dupla. Porém, um padrão preocupante tem se tornado evidente: os “maus agradecidos” do LinkedIn.
Frequentemente, observamos um fenômeno curioso. Quando alguém está em busca de emprego, a atividade no LinkedIn aumenta drasticamente: postagens frequentes, interações em publicações alheias, mensagens privadas pedindo apoio ou contatos. A comunidade, em geral, responde com solidariedade — seja compartilhando a publicação, indicando uma vaga ou oferecendo conselhos. Mas o que acontece quando essas pessoas finalmente conseguem o tão sonhado emprego? Muitas simplesmente desaparecem. Deixam de interagir, não respondem às mensagens de quem as ajudou e, em alguns casos, até abandonam a plataforma por completo.
O mínimo que se espera de alguém que recebeu apoio é um gesto de gratidão ou, melhor ainda, a disposição de retribuir o favor. Afinal, quem já passou pelo desafio de encontrar um emprego sabe como esse processo pode ser desgastante. Por que não ajudar outros que estão na mesma situação? Um simples “obrigado” público, uma indicação de vaga ou até mesmo uma mensagem de incentivo já fariam diferença. Mas, em vez disso, o silêncio prevalece.
Outro grupo que merece destaque nesse cenário são os chamados “falsos colegas”. Quem nunca recebeu uma mensagem inesperada de alguém com quem não falava há anos, apenas para descobrir que a pessoa está desempregada e precisa de ajuda? Essas mensagens, muitas vezes enviadas pelo LinkedIn ou até pelo WhatsApp, costumam ser gentis e cheias de saudosismo — “Oi, quanto tempo! Como você está? A propósito, você sabe de alguma vaga?” —, mas, quando a pessoa consegue se recolocar no mercado, o contato desaparece tão rápido quanto surgiu.
Recentemente eu passei por isso, uma pessoa que há mais de 5 anos não tinha qualquer contato, mesmo por vezes eu ter interagido em alguma coisa postada em redes sociais, nunca recebi um obrigado, um “oi como está?”, etc; me procurou pelo whatsapp pedindo para ajudá-lo(a) a se recolocar. Respondi educadamente que faria o possível em indicar, mas confesso que as vezes dá vontade de simplesmente ignorar, mas não é da minha índole responder com a mesma moeda. No geral eu compartilho no linkedin pedidos de emprego de quaquer um que me solicite ajuda.
Esse comportamento oportunista não é apenas inconveniente; ele mina a essência do networking. Relacionamentos profissionais devem ser construídos com base em respeito mútuo e interesse genuíno, não em conveniências momentâneas. O “falso colega” só se lembra de você quando precisa, mas, uma vez empregado, não se dá ao trabalho de perguntar como você está ou oferecer qualquer tipo de apoio em retorno.
A cultura do “cada um por si” que permeia esses casos é um reflexo de uma visão míope sobre o que significa construir uma rede de contatos. O LinkedIn não é apenas uma ferramenta para encontrar emprego; é um ecossistema onde profissionais podem crescer juntos, trocar conhecimentos e fortalecer laços que beneficiam a todos. Quando alguém recebe ajuda e não retribui — seja com gratidão, seja ajudando outros —, esse ciclo de solidariedade é quebrado.
Além disso, a falta de reciprocidade deixa um gosto amargo em quem já estendeu a mão. Quantas vezes alguém pensará duas vezes antes de ajudar um desconhecido no LinkedIn por já ter sido “esquecido” por outros? Esse tipo de atitude pode desencorajar a generosidade e transformar a plataforma em um espaço mais frio e calculista do que já é.
Está na hora de repensarmos como usamos o LinkedIn e como tratamos aqueles que nos ajudam. Se você foi beneficiado por uma indicação, uma conexão ou até mesmo um conselho, demonstre gratidão. Não precisa ser algo grandioso: um agradecimento público ou privado já é um começo. Melhor ainda, torne-se um agente ativo na comunidade — compartilhe vagas, ofereça mentoria, apoie quem está na mesma situação que você já enfrentou um dia.
Quanto aos “falsos colegas”, a sugestão é simples: cultive relacionamentos antes de precisar deles. Mantenha contato com sua rede de forma consistente, não apenas quando o desemprego bater à porta. Afinal, networking não é sobre pedir favores; é sobre construir pontes que resistam ao tempo.
O LinkedIn é uma ferramenta poderosa, mas seu verdadeiro valor está nas pessoas por trás dos perfis. Que tal fazermos dele um espaço de colaboração genuína, em vez de um palco para oportunismo e ingratidão? A mudança começa com cada um de nós.
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